quarta-feira, 5 de março de 2008

Grandes Mulheres: Renata Bomfim conta Florbela Espanca

Florbela Espanca (1894- 1930)

Poetisa portuguesa extemporânea para sua época, compôs uma obra multifacetada onde convergem representações que abarcam aspectos como sensualidade, erotismo, aspiração sacerdotal e virginal, dor, angústia, desejo, sonhos, vaidade, questões e temas que refletem certos desejos de fazer dialogar dicotomias, termos opostos, aparentemente irreconciliáveis e lhe conferem uma importante presença ritualística.

Escreveu:

Eu bebo a Vida, a Vida, a longos tragos
Como um divino vinho de Falerno
Poisando em ti o meu olhar eterno
Como poisam as folhas sobre os lagos...
[...]
A Vida, meu amor, quero vivê-la!
Na mesma taça erguida em tuas mãos,
Bocas unidas hemos de bebê-la!

Que importa o mundo e as ilusões defuntas?...
Que importa o mundo e seus orgulhos vãos?...
O mundo, Amor!...
As nossas bocas juntas!...

(soneto: O nosso mundo)


Renata Bomfim é Artista Plástica graduada pela Universidade Federal do Espírito Santo, Arteterapeuta (UCAM- RJ), Especialista em psicossomática (FACIS- SP). Mestranda em Estudos Literários (UFES). Membro do Projeto de Pesquisa do CNPQ: Aproximações regionais: Alentejo Português e Nordeste Brasileiro - Florbela; romanceiros e romance sergipano (UFS).

6 comentários:

Letícia Möller disse...

Querida Renata,

o maravilhoso da internet são as trocas que propicia: trocas que podem ser fugazes e superficiais, mas que podem também ser tão ricas em idéias, e sedimentar-se. Em poucos meses, nós duas pudemos trocar idéias sobre uma série de assuntos – da bioética ao ambientalismo, do estudo sobre a saúde mental à literatura. E então, graças ao contato contigo, pude conhecer a poeta portuguesa Florbela Espanca.

Florbela, como tu mesma me havias contado há algum tempo atrás, foi uma mulher pioneira no seu tempo. Alguém que não deixou uma sociedade repressora a condicionar por completo. Batalhou para poder estudou, trabalhou, casou e “recasou”, o que lhe custou caro, como me disseste: foi difamada e não aceita. Que bela coisa que hoje Florbela Espanca, como personagem feminina e como poeta, esteja sendo redescoberta e, nas tuas palavras, sendo a cada dia “mais buscada como objeto de pesquisa pela potência emocional e qualidade de sua poesia”.

Obrigada pela homenagem que fazes.
És tu também uma mulher admirável.

Um grande beijo,
Letícia.

Saramar disse...

renata, Florbela é minha poeta preferida, justamente por essa multiplicidade de sua temática, sutilmente expressa sob a aparência de grande romantismo.
Sua obra retrata vários estados de alma, várias mulheres.
Obrigada também pelo lindo poema.

beijos

Cristiane disse...

Renata!
Obrigada por me apresentar Florbela, que vou conhecer melhor de agora em diante.
Beijos,
Cristiane

CintiaT homé disse...

Florbela Espanca

Eu quero amar, amar perdidamente !
Amar só por amar: Aqui ... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente ... Amar ! Amar! E não amar ninguém !e no final da quadra seguinte Quem disser que se pode amar alguém Durante a vida inteira é porque mente

Que maravilha falar da Flor Poeta e Bela poesia...uma das minhas preferidas...
Parabens ! bjus

renata disse...

Queridas, como fico feliz em apresentar a algumas de vocês a Florbela, e de conhecer outras mulheres maravilhosas que nos legaram tanta coragem e esperança!
Meu carinho a todas, especialmente a Leticia por promover esta possibilidade de troca.
Renata

Remisson disse...

Florbela Espanca... apaixonante... como a Renata Bonfim com suas letras.
Abraço do Remisson

http://remisson.com.br/2014/04/02/grandes-mulheres-renata-bomfim-conta-florbela-espanc/