quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Ninho

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Da vidraça espio quieta a construção do ninho. Quero-me invisível, a não turbar o labor amoroso. A nova estação desabrocha novos cuidados e afetos. Incessantes vôos de partida e retorno. A ponta do bico carrega mais um pedaço que acolhe a vida. Materialidade de um começo. Solene e muda atrás da vidraça espio a dedicação sábia, a arquitetura precisa. Oculto-me, não faço ruído. Quero absorver a natural confiança de cada pouso, de cada novo vôo, cada movimento consciente e cristalino. Pensativa na vidraça sigo a construção e carrego-te comigo. É tempo de eu também, amor, construir teu ninho.

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