
Tomo nos olhos delicadamente
(Cecília Meireles, Solombra)
Tomo nos olhos delicadamente
esta noite - jardim de puro tempo
com ramos de silêncio unindo os mundos.
Tudo quanto quisesse aqui se encontra:
nos arroios de estrelas - pelos bosques
onde há risos (e próximos soluços?).
Sinto perfume e orvalho - imagens tênues
que inventa a solidão para fazer-se
de repente saudade. E vejo em tudo
essas cansadas lágrimas antigas
essas longas histórias sucessivas
com seus berços e guerras - glórias? - túmulos.
Recolho a noite em minhas pálpebras.