
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Saindo do forno

segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Justiça para Flávia

sábado, 23 de agosto de 2008
As ruas da cidade
quando meus passos percorrem a calçada antiga.
As pedras as mesmas, as mesmas árvores,
o sabiá e o lilás das campainhas.
Do velho armazém nada alterado
e em pé segue a casa do professor.
O céu anil do outubro na cidade
pinta de ares serenos a tarde.
Mas já não reconheço as ruas
quando piso meus passos pequenos
e respiro o concreto imponente e feio.
Quando vejo aquele homem na calçada
que dorme sobre nada e nada sonha
e aqueles que passam apressados indiferentes irados
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Machado e Rosa
Para mais informações e inscrição, www.filosofialiteratura.org
domingo, 3 de agosto de 2008
Bentornati
Mas as efêmeras letras repensaram e voltaram, com leves modificações: talvez menos expostas, com um acanhamento salutar. E mais esporádicas, pra não aborrecer demais ninguém e pra permitir a conclusão de uma tese que se prolonga já uma insensatez.
Bentornati, dunque, aqueles que ainda não tenham desistido.
Abraços.
quarta-feira, 2 de julho de 2008
O quarto, uma varanda
Distância
(Cecília Meirelles)
Quem sou eu, a que está nesta varanda,
em frente deste mar, sob as estrelas,
vendo vultos andarem?
Sabem, acaso, os vultos, quem vão sendo?
Sentem o céu, as águas, quando passam?
Ou não vêem, ou não lembram?
Como alguém deste mundo para a lua
dirige os olhos, meditando coisas
e assim no vago mira.
- Para este mundo vão meus pensamentos,
tão estrangeiros, tão desapegados,
como se esta varanda fosse a lua.
(em: Mar absoluto e outros poemas)
terça-feira, 10 de junho de 2008
Tarde de hortelã
pimenta, alho e cebola,
entre vidros de conservas,
entre temperos e ervas
preparo a tarde,
cozinho idéias,
acrescento metas,
misturo bem.
Entre o salgado da lágrima
e a acidez do anseio,
entre amargos receios
colho um ramo de hortelã
e escolho o doce alento
da fruta, do mel, do beijo.
terça-feira, 3 de junho de 2008
Mão Dupla

“Após um infeliz acontecimento, o jovem Tiago tem sua vida transformada. Ao ver-se diante — ou no centro — de tantas transformações, precisa buscar uma forma de entender o que a vida lhe tirou. Precisa encarar o dia-a-dia de um jeito diferente. Novo olhar sobre o já vivido? Ao buscar(-se), encontra novos caminhos e uma surpresa boa: há muitas possibilidades de ser, de viver, de se relacionar com os outros e de olhar para si mesmo. Numa narrativa rápida, o autor revela toda a angústia de um adolescente que precisa encarar a vida à bordo de um corpo diferente, corpo no qual falta um pedaço. Esse, o “grilo”: em plena adolescência, fase de inseguranças e dúvidas, Tiago precisa enfrentar, ainda, o medo de não ser aceito e de não conseguir encontrar seu lugar no mundo”.
quinta-feira, 29 de maio de 2008
feminino insular
quero ser como as mulheres de Lena Gal
tantas mulheres dentro de mim.
deusas camponesas
delicadas mães amigas
sensíveis bordadeiras sensitivas
irmãs cúmplices conselheiras
sonhadoras misteriosas filhas.
sábias dançarinas
a correr com o vento.
mulheres ninfas, mulheres fofas
mulheres jovens e maduras
mulheres fadas, mulheres bruxas
mulheres diversas mas tão iguais
mulheres todas...
ah, quero ser como as mulheres de Lena
na terra da brisa perfumada!
suspiros de concha
pegadas na areia
os risos alíseos
um céu de pensamentos
num olhar infinito.
devaneios de ilha.
o feminino insular
não hermético
desconfiado
isolado
não.
feminino afetivo
comunicante, íntimo
que ao acolher
permite silêncios
respeita espaços e tempos.
feminino
que preserva os mistérios
as paixões singulares
não perturba as saudades
as inquietações da alma.
quero ser feminino insular
como as mulheres de Lena…
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Espelho
extraída do livro “Serpentinas”, 1998)
Não quero ser outra
quero ser a que sou
olhando-me no espelho.
Por que?
- ando me buscando
pesquisando
descobrindo
em cada côncavo da alma.
Sou rica
nas emoções que sinto –
meus pensamentos de paz.
Tenho identidade – ternura – sonho
vontade de voar.
Nem sempre me reconheço –
as imagens deformam
o contorno do coração.
Quando os olhos parecem calmos
existe um vulcão no meu silêncio.
E o riso –
a luz que cintila na lâmina prateada?
- é a ânsia de abraçar
sentir-me humana
confiante
bela –
o amor fluindo do sorriso
e eu – sendo eu...
Dolores Mascarenhas Cantera de Campos
Nasceu em Bagé/RS. Poeta. Fez seus estudos na terra natal e no Rio de Janeiro. Cursou o Instituto de Belas Artes, diplomando-se em História da Música, Harmonia e Piano. Tem poemas premiados. É autora dos livros Poesias (1944), Carícia (1954), Malacacheta (1981) e Serpentinas (1998). Seu quinto livro, Círculos, tem publicação prevista para este ano.
E também é minha avó!