segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Saindo do forno


Divulgo aqui a publicação da obra coletiva Bioética e Responsabilidade, que tive a honra de co-organizar ao lado da Profa. Dra. Judith Martins-Costa. Pelo selo da Editora Forense. Segue resumo:

Nesta obra reúnem-se autores nacionais e estrangeiros analisando a bioética e as questões suscitadas pelo progresso biotecnológico pelo prisma da responsabilidade, noção central que atua como o fio condutor a perpassar as diferentes abordagens. Trata-se da responsabilidade em suas dimensões ética, social e jurídica, como noção voltada ao presente e ao futuro, às sociedades contemporâneas e à tutela das futuras gerações. A obra une textos de cunho filosófico e de fundamentação ético-jurídica a textos que buscam enfrentar, por meio da dogmática jurídica, a complexidade de questões específicas – tais como a pesquisa em seres humanos, o consentimento, a clonagem, o acesso ao material biológico humano, as informações genéticas, o diagnóstico pré-implantatório, as patentes, o fim da vida –, resultando em importante contribuição a orientar reflexões e fomentar debates que envolvem múltiplos campos do saber, como o direito, a filosofia e as ciências da saúde.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Justiça para Flávia



A trágica história de Flávia e a luta de sua mãe, Odele, já estiveram no efêmeras letras. Leia aqui.


sábado, 23 de agosto de 2008

As ruas da cidade

Já não reconheço as ruas
quando meus passos percorrem a calçada antiga.
As pedras as mesmas, as mesmas árvores,
o sabiá e o lilás das campainhas.

Do velho armazém nada alterado
e em pé segue a casa do professor.
O céu anil do outubro na cidade
pinta de ares serenos a tarde.

Mas já não reconheço as ruas
quando piso meus passos pequenos
e respiro o concreto imponente e feio.

Quando vejo aquele homem na calçada
que dorme sobre nada e nada sonha
e aqueles que passam apressados indiferentes irados
e nada vêem.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Machado e Rosa

Aproveito para divulgar um evento bem interessante que ocorre neste mês, em 3 encontros nos dias 6, 13 e 20, mais um colóquio no dia 21, aqui em Porto Alegre - para quem se interessa sobre as interfaces entre a literatura, a ética, a filosofia, a psicologia, o direito...
Para mais informações e inscrição, www.filosofialiteratura.org




domingo, 3 de agosto de 2008

Bentornati

O blog andou em ..stand.by.. nos últimos tempos. Fechou 1 ano de existência assim, quase abandonado, sem direito a bolo nem vela. Correndo o risco, mal sabe ele, de encerrar atividades.

Mas as efêmeras letras repensaram e voltaram, com leves modificações: talvez menos expostas, com um acanhamento salutar. E mais esporádicas, pra não aborrecer demais ninguém e pra permitir a conclusão de uma tese que se prolonga já uma insensatez.

Bentornati, dunque, aqueles que ainda não tenham desistido.

Abraços.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

O quarto, uma varanda

Nestas manhãs porto-alegrenses feitas de bruma, o pensamento escapa do aqui e do agora. A manhã se faz noite, a cidade some entre espessa névoa. O concreto transformado em mar imenso, o quarto uma varanda para outros mundos. Viajo com Cecília.

Distância
(Cecília Meirelles)

Quem sou eu, a que está nesta varanda,
em frente deste mar, sob as estrelas,
vendo vultos andarem?

Sabem, acaso, os vultos, quem vão sendo?
Sentem o céu, as águas, quando passam?
Ou não vêem, ou não lembram?

Como alguém deste mundo para a lua
dirige os olhos, meditando coisas
e assim no vago mira.

- Para este mundo vão meus pensamentos,
tão estrangeiros, tão desapegados,
como se esta varanda fosse a lua.

(em: Mar absoluto e outros poemas)

terça-feira, 10 de junho de 2008

Tarde de hortelã


Johnny Katchoolik, Untitled, 2008. Creative commons


Entre a faca e o tomate,
pimenta, alho e cebola,
entre vidros de conservas,
entre temperos e ervas

preparo a tarde,
cozinho idéias,
acrescento metas,
misturo bem.

Entre o salgado da lágrima
e a acidez do anseio,
entre amargos receios

colho um ramo de hortelã
e escolho o doce alento
da fruta, do mel, do beijo.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Mão Dupla


No dia 6 deste mês, às 19 horas, acontece na Livraria Cultura de Porto Alegre o lançamento do livro juvenil Mão Dupla, do escritor gaúcho Christian David, publicação da Editora Artes e Ofícios. Segue o resumo:

“Após um infeliz acontecimento, o jovem Tiago tem sua vida transformada. Ao ver-se diante — ou no centro — de tantas transformações, precisa buscar uma forma de entender o que a vida lhe tirou. Precisa encarar o dia-a-dia de um jeito diferente. Novo olhar sobre o já vivido? Ao buscar(-se), encontra novos caminhos e uma surpresa boa: há muitas possibilidades de ser, de viver, de se relacionar com os outros e de olhar para si mesmo. Numa narrativa rápida, o autor revela toda a angústia de um adolescente que precisa encarar a vida à bordo de um corpo diferente, corpo no qual falta um pedaço. Esse, o “grilo”: em plena adolescência, fase de inseguranças e dúvidas, Tiago precisa enfrentar, ainda, o medo de não ser aceito e de não conseguir encontrar seu lugar no mundo”.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

feminino insular

(Lena Gal, Canto da manhã)

quero ser como as mulheres de Lena Gal
tantas mulheres dentro de mim.

deusas camponesas
delicadas mães amigas
sensíveis bordadeiras sensitivas
irmãs cúmplices conselheiras
sonhadoras misteriosas filhas.

sábias dançarinas
a correr com o vento.

mulheres ninfas, mulheres fofas
mulheres jovens e maduras
mulheres fadas, mulheres bruxas
mulheres diversas mas tão iguais
mulheres todas...

ah, quero ser como as mulheres de Lena
na terra da brisa perfumada!

suspiros de concha
pegadas na areia
os risos alíseos
um céu de pensamentos
num olhar infinito.

devaneios de ilha.

o feminino insular
não hermético
desconfiado
isolado
não.

feminino afetivo
comunicante, íntimo
que ao acolher
permite silêncios
respeita espaços e tempos.

feminino
que preserva os mistérios
as paixões singulares
não perturba as saudades
as inquietações da alma.

quero ser feminino insular
como as mulheres de Lena…

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Espelho

(poesia de Dolores Mascarenhas Cantera de Campos,
extraída do livro “Serpentinas”, 1998)



Não quero ser outra
quero ser a que sou
olhando-me no espelho.
Por que?
- ando me buscando
pesquisando
descobrindo
em cada côncavo da alma.
Sou rica
nas emoções que sinto –
meus pensamentos de paz.
Tenho identidade – ternura – sonho
vontade de voar.
Nem sempre me reconheço –
as imagens deformam
o contorno do coração.
Quando os olhos parecem calmos
existe um vulcão no meu silêncio.
E o riso –
a luz que cintila na lâmina prateada?
- é a ânsia de abraçar
sentir-me humana
confiante
bela –
o amor fluindo do sorriso
e eu – sendo eu...



Dolores Mascarenhas Cantera de Campos
Nasceu em Bagé/RS. Poeta. Fez seus estudos na terra natal e no Rio de Janeiro. Cursou o Instituto de Belas Artes, diplomando-se em História da Música, Harmonia e Piano. Tem poemas premiados. É autora dos livros Poesias (1944), Carícia (1954), Malacacheta (1981) e Serpentinas (1998). Seu quinto livro, Círculos, tem publicação prevista para este ano.
E também é minha avó!