quarta-feira, 12 de março de 2008

Grandes Mulheres: Cintia Thomé conta Ana Cristina Cesar

Ana Cristina Cesar (1952-1983)
Expoente da chamada poesia marginal dos anos 70, a poeta carioca Ana Cristina Cesar tornou-se conhecida em escala nacional depois de figurar na antologia 26 Poetas Hoje, organizada por Heloísa Buarque de Hollanda, em 1976. Ana Cristina viveu mais de uma vez, viajou pelo mundo, estudou literatura e cinema, publicou poesia em edições independentes. Escritora compulsiva produzia poemas, cartas, artigos para jornais e revistas, traduções, ensaios. Entre os principais títulos deixados por Ana C., encontram-se A Teus Pés, Inéditos e Dispersos, e Crítica e Tradução. Ana suicidou-se em outubro de 1983, aos 31 anos.

ANA CRISTINA CESAR, ANA C.
(poesia de Cintia Thomé)

A estrutura inacabada
Talvez a verdade dos fatos
Não dos olhos
Da construção oca
Do salto alto
Na contramão
No vácuo do um
Quase dois
tea for two
Escorre o assassino
Eu,
Vivo nas cabeças
de Madame Tussaud
Derreto solidões
Esculpo saudades
Roberto ainda geme
Nas curvas da Bahia
Tortas vias
Veias secas
Fingidas
Mãos com luva
De Pelica?
O todo da vida
Não de mim
Dos que li
Nem conheci
Mentiras
No risco neon
Do tempo Blue
De mim?
Só a obra fantasma
De mim
Dos meus eus.
“Despe-te dos ruídos”.
Quantos?
Dois? Tantos?
Ah! Esqueci.


Cintia Thomé
Nascida em Campinas, SP. Jornalista, Relações Públicas/Cerimonial e Escritora. Professora Universitária. Assessora de Imprensa e Relações Públicas, do Instituto Agronômico de Campinas e da Secretaria da Agricultura e Abastecimento de São Paulo, por 7 anos. Trabalhou na área de marketing da Ed. Abril . Galerista de Arte por 15 anos. Especializou-se em História da Arte Brasileira. Atualmente ocupa-se com um romance e palestras para iniciantes e empresários sobre História da Arte Brasileira. Prêmios Literários. Consta em diversas Antologias Poéticas. Autora do Livro "Olhos de Folha Minha".

segunda-feira, 10 de março de 2008

Grandes Mulheres: Nydia Bonetti conta Teresa de Ávila


Teresa de Ávila (1515-1582)

Teresa de Ávila ou Teresa de Jesus, foi uma religiosa e escritora espanhola, uma das grandes personalidades místicas de todos os tempos. Considerada um dos grandes gênios que a humanidade já produziu. Mesmo ateus e livres-pensadores são obrigados a enaltecer sua arguta inteligência, a força persuasiva de seus argumentos, seu estilo vivo e atraente e seu profundo bom senso.

Difícil explicar em palavras as emoções que brotam diante da sua poesia, aliás, também como a poesia do seu "irmão" São João da Cruz, ambos figuras preponderantes do “siglo de oro” da poesia espanhola e da nossa cultura, independentemente da religião. É venerada como Padroeira dos Poetas e comemorada no dia 15 de outubro.

De personalidade ao mesmo tempo ingênua e sutil, mansa e combativa, usando uma linguagem popular, cheia de graça e de doçura, com um coração que nunca deixou de bater humanamente, apesar de abrasado de amor divino. Difícil escrever sobre essa fome de absoluto que atormentou Teresa, que enfrentava com desencanto o vazio da eternidade, numa espécie de êxtase às avessas...

VERSOS NACIDOS AL FUEGO DEL AMOR

Vivo sin vivir en mí,
y de tal manera espero,
que muero porque no muero.

Vivo ya fuera de mí

después que muero de amor;
porque vivo en el Señor,
que me quiso para sí;
cuando el corazón le di
puse en él este letrero:
que muero porque no muero.

(Teresa de Ávila)

Fiz este poema depois de ler Teresa de Ávila:

Nada...

Chove outra vez

Em mim

Outra vez se faz noite

Mais uma vez me quedo

Diante do meu nada...

Sombra

Mais uma vez

Sou sombra

Mais uma vez sozinha

As minhas mãos vazias

Dor

Choro outra vez

Na noite

A noite me devora

A noite dói em mim

Cansei

Não posso mais

Quero voltar atrás

Mas lá não há mais nada

Na minha frente

Nada...

Bate

Meu coração inquieto

Meu coração não sabe

Que ele anda sozinho

Meu coração não sabe

Que também não é nada...

Olho

Meus olhos no espelho

Pensam que brilham

Os meus olhos não sabem

Que não há brilho

Quando a alma se esconde

E não reflete nada...

Noite

Não há ninguém lá fora

E aqui dentro nada

Os meus olhos cansados

A minha alma aflita

Tremo de medo e frio

Os meus olhos vazios

Diante do meu nada...

Vida

Por que não foi...

Vida

Por que não é...

Vida

Por não volta...

Vida

Por que é nada?!

(Nydia Bonetti)

Uma singela homenagem à Padroeira dos Poetas. Que ela interceda por todas as mulheres e todos os poetas!

Nydia Bonetti
Campinas/SP. Engenheira Civil por profissão, escrevo poemas como uma forma de amenizar a dureza do concreto e do aço e a exatidão dos traços e das fórmulas com que convivo diariamente, com o lirismo e a doçura das palavras perseguidos pelos poetas...

Por que me fiz assim,
milhas de quem
perto de mim?


Ah... Se não fosse a poesia,
meu único contato
com este mundo distante,
que jamais consegui alcançar...

(Nydia Bonetti)

nydiabonetti@bol.com.br
http://www.overmundo.com.br/perfis/nydia-bonetti

sexta-feira, 7 de março de 2008

Grandes Mulheres: Cristiane Avancini Alves conta Edith Stein

Edith Stein (1891-1942)

Eis a verdade…

Já faz algum tempo que não conversamos. Por isso, quando pensei numa mulher, pensei nela. Estava com saudades. A correria do dia-a-dia e as preocupações do cotidiano tolhem, por vezes, aquele bom recolhimento pessoal, quando nos encontramos com nós mesmos. E Edith sempre foi uma discreta e forte companhia nestes meus momentos de silêncio interior, tão cheio de vozes, dúvidas, esperanças. Momentos eloqüentes que devo retomar. Eles trazem equilíbrio. Nos inundam de uma suave paz.

Refiro-me a Edith Stein. Ela nasceu em Breslau (na época, pertencente a Alemanha, hoje Polônia) em 1891. Filósofa, discípula de Edmund Husserl, de origem judia. Sua busca pelo conceito da “Verdade” passou do racionalismo acadêmico à experiência pessoal. Da Fenomenologia, defrontou-se com a I e II Guerra Mundial e, com elas, a perda de amigos. Paradoxalmente, uma sensível perda que, por caminhos diversos, a levou ao encontro da obra “O Livro da Vida”, de Teresa de Ávila. Ao finalizar a leitura do livro, diz a si mesma: “Esta é a Verdade”. Entra para a vida carmelitana aos 42 anos de idade, chamando-se, a partir de então, “Teresa Benedita da Cruz”. Refugiou-se da perseguição nazista no Carmelo de Echt, Holanda. Em 9 de agosto de 1942, morre no campo de concentração de Aushwitz.

Já faz algum tempo que não conversamos, mas já faz muito tempo que, direta ou indiretamente, sinto sua coragem. Não falo, aqui, de religião ou linhas filosóficas. Penso na plenitude de “ser”, no desafio de uma mulher que, na sua época, passou da Filosofia ao Holocausto. Edith nos faz lembrar que o verbo “acreditar” é pleno de movimento e desafios. Aceitar a si mesmo neste emaranhado de perguntas interiores é a resposta mais difícil de encontrar. E ela, Edith, foi uma mulher que, ao desafiar, pacificou dúvidas, alimentou esperanças. Diz-se que o seu foi um “Holocausto de Amor” para aquele tempo escuro da humanidade. Seu exemplo traz luz. E ser mulher é ser luz, que nunca há de se ocultar.

Cristiane Avancini Alves
Formada em Jornalismo pela PUCRS em 1999 e em Direito pela UFRGS em 2001. Mestre em Direito Privado pela UFRGS em 2005. Atualmente, é Doutoranda em Ciências Jurídicas pela Scuola Superiore Sant’Anna em Pisa, Itália.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Grandes Mulheres: Renata Bomfim conta Florbela Espanca

Florbela Espanca (1894- 1930)

Poetisa portuguesa extemporânea para sua época, compôs uma obra multifacetada onde convergem representações que abarcam aspectos como sensualidade, erotismo, aspiração sacerdotal e virginal, dor, angústia, desejo, sonhos, vaidade, questões e temas que refletem certos desejos de fazer dialogar dicotomias, termos opostos, aparentemente irreconciliáveis e lhe conferem uma importante presença ritualística.

Escreveu:

Eu bebo a Vida, a Vida, a longos tragos
Como um divino vinho de Falerno
Poisando em ti o meu olhar eterno
Como poisam as folhas sobre os lagos...
[...]
A Vida, meu amor, quero vivê-la!
Na mesma taça erguida em tuas mãos,
Bocas unidas hemos de bebê-la!

Que importa o mundo e as ilusões defuntas?...
Que importa o mundo e seus orgulhos vãos?...
O mundo, Amor!...
As nossas bocas juntas!...

(soneto: O nosso mundo)


Renata Bomfim é Artista Plástica graduada pela Universidade Federal do Espírito Santo, Arteterapeuta (UCAM- RJ), Especialista em psicossomática (FACIS- SP). Mestranda em Estudos Literários (UFES). Membro do Projeto de Pesquisa do CNPQ: Aproximações regionais: Alentejo Português e Nordeste Brasileiro - Florbela; romanceiros e romance sergipano (UFS).

segunda-feira, 3 de março de 2008

Grandes Mulheres

Retrato de Maria, C. Portinari (1931)



8 de março, Dia Internacional da Mulher.

Que seja ocasião de refletir. Dia de observar e pensar. De debater o “ser mulher”, a condição feminina em nossa sociedade e em nosso tempo. As conquistas e os eternos desafios, a igualdade formalmente reconhecida e as desigualdades que na prática persistem. A força e a vulnerabilidade do ser mulher. Dia de refletir sobre a convivência (possível!) da emancipação plena e do trabalho, de um lado, com a preservação da feminilidade e o desejo de maternidade, de outro.

Dia, também, de celebrar. Mas celebrar de um modo que não resuma esta data às usuais celebrações banais e tão bem exploradas comercialmente, centradas em uma exaltação feminina de significado trivial ou mesmo caricatural, tão distante do real ser mulher, de nosso modo todo particular - e único - de ser mulher. Não será possível?

Durante todo o mês de março o ..efêmeras letras.. dedicará espaço exclusivo a homenagear as mulheres. Com a colaboração de amigas - poetas, jornalistas, juristas, artistas plásticas... - contamos um pouquinho sobre algumas dentre tantas Grandes Mulheres.

Grandes mulheres

Porque autênticas, porque fortes.
Porque corajosas, porque talentosas.
Porque desafiaram seu tempo.
Porque sensíveis, porque tão humanas,
porque em busca do bem e do belo.

Mulheres que admiramos.
Mulheres que não cabem em estereótipos,
frágeis rótulos.

Mulheres de diferentes tempos e espaços,
que inspiram a cada uma de nós,
a seu modo.

Agradeço desde já a todas estas amigas que me honraram e alegraram em aceitar este convite.
A vocês, mulheres de hoje,
meu muito obrigada.

Letícia.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Reminiscências de Escola


O Reminiscências de Escola, projeto inovador de livro colaborativo, coordenado por Joca Oeiras, reúne 40 crônicas de 25 autores, de 12 diferentes Estados e 19 diferentes cidades brasileiras, compondo um precioso mosaico de lembranças dos tempos de escola que retratam distintas realidades escolares de nosso País ao longo de décadas.

Tenho enorme alegria e satisfação de fazer parte deste grupo especial de autores.
Um grupo de sonhadores, de gente que acredita na escola. E que acredita que recordar nossas vivências escolares é não apenas um exercício (fascinante e ao mesmo tempo perturbador) de voltar a enxergar com olhos de criança, mas também e talvez sobretudo um modo fundamental de REPENSAR A ESCOLA.

Relembrar a escola é repensá-la, é construir pontes entre as heranças do passado, o nosso tempo presentee as expectativas para o futuro. Que futuro queremos para a escola no Brasil? Será que uma das chaves para a resposta não poderia estar no pensar o caleidoscópio formado por nossas inúmeras e tão distintas realidades escolares?

O grupo busca patrocinadores e editoras interessadas na viabilização da publicação impressa deste belo e inovador projeto. Sim, embora o projeto tenha fecundado e crescido em bases virtuais, no seio do Overmundo, sonhamos com o papel, seu cheiro, seu toque, seu irresistível fascínio, de modo a transmitir da melhor maneira possível nossas recordações agridoces (às vezes açucaradas, por vezes amargas de fazer careta) dos inesquecíveis tempos de escola.

Para quem se interessar possa, aqui vão alguns links que explicam o projeto, bem como valiosas manifestações de apoio recebidas:

http://www.overmundo.com.br/banco/pela-publicacao-do-livro-reminiscencias-da-escola

http://www.overmundo.com.br/forum/reminiscencias-da-escola-solidariedade-criativa-no-overmundo

http://www.overmundo.com.br/ banco/como- se-constroi- um-sonho

http://www.overmundo.com.br/banco/reminiscencias-da-escola-sim


Para ler minha crônica, Era uma vez um Jardim de Infância, acesse:

http://www.overmundo.com.br/overblog/era-uma-vez-um-jardim-de-infancia


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Livros ao mar

( Haley, Untitled, 2006. Open Photo)


Tempo de praia pode ser, mais do que nunca, tempo de bons livros. Nestes dias em que tudo é sol, brisa e mar, quando os ponteiros do relógio parecem reduzir seu ritmo e as horas avançam lentas e generosas, que prazer degustar palavras sem pressa, deixar-se seduzir por histórias, aventurar nossa imaginação por outros mundos através das páginas de um livro.

Outro dia peguei-me recordando algumas passadas leituras praianas. Na infância, ler “A casa das quatro luas”, de Josué Guimarães, na preguiça pós-almoço, enrolada na rede para proteger-me do vento. Divertir-me com Mario Quintana em “O batalhão das letras”, leitura a quatro olhos e duplas risadas com meu irmão mais velho. Mais tarde, levar para a areia “O mundo de Sofia”, de J. Gaarder, e “O estrangeiro”, de Camus, que aos 14 anos pouco entendi.

O embalo suave da rede a embalar a leitura. O livro na sacola rumo à beira-mar, indo da canga sobre a areia à sombra protetora do guarda-sol. Perder-se nos labirintos kafkianos, visitar a abadia medieval de “O nome da rosa” de Eco, estudar na Howgarts de Harry Potter, emocionar-se com as desventuras de um circo durante a Grande Depressão americana, no “Água para elefantes” de Sara Gruen. Viajar para outros tempos e lugares, partilhar dos sentimentos e dilemas dos personagens. E, ao interromper a leitura e erguer a vista ao mar, perceber o que nos rodeia: a areia morna sob os pés, as ondas que quebram à frente. A vida leve.

Ao retornar para nossa selva urbana, encontrar entre as páginas dos livros os vestígios do verão: um grão de areia, o milho verde saboreado junto à leitura, as orelhas que nos livros se formaram, de tanto que passaram de mãos em mãos – da tia para o pai, para a filha. São marcas de um verão de emoções compartilhadas: com quem amamos, com nossos amigos, e também um especial e singular compartilhar entre leitor e autor.


PUBLICADO NO JORNAL NH, EM 08/02/2008.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Digressão em tarde de verão

Sol diagonal na parede do quarto,
pelas frestas da veneziana
pinta harmônica geometria.

Dois, quatro, seis,
não sigo a conta,
a mente inquieta.

Pés preguiçosos
pesados ponderam:
reagir à inércia?

Pensamentos como flecha,
corpo cansado,
cria-se impasse.

Cada idéia fugidia
que me atravessa e já se esvai
são mais dois quilos numa perna

... são três cochilos nas mãos.

São olhos compridos
no esforço de contar
a geometria do sol.

Na parede do meu quarto.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Um gesto inusitado

Li Sun (Austria/Taiwan; 200703; Open Photo)


São muitas as pessoas, àquela hora, na farmácia. Algumas circulam espiando os produtos, outras esperam atendimento no balcão. O volume de gente aumenta, o ritmo do atendimento é lento. Cresce a impaciência. Todos têm tanto a fazer, cada minuto é precioso. E a pessoa ao lado de repente transforma-se em potencial inimigo – causa de infinitos contratempos jornada afora.

Apóio-me numa perna, troco para a outra, e assim vou. O olhar cansado, suspiro. Eis que um homem, na faixa dos sessenta anos e cuja presença eu não havia notado, estende o braço em minha direção, alcançando-me um papelzinho. Nada diz. Pego o papel desconfiada, pensando “o que este homem está querendo me vender?”. Vejo que ele estende a mesma tira de papel dobrada a algumas outras pessoas. Desdobro a minha já certa do que vou encontrar – um pedido de ajuda, um grito de socorro – e discretamente corro os olhos sobre as linhas.

Não. Não há ali alguma referência a uma condição difícil, ao dinheiro talvez muito necessitado. Há apenas uma mensagem singela, que fala de alegria, de otimismo, de amor ao próximo. Um convite simples a perceber as belezas da vida. Uma cutucada em nossa face defensiva e fechada.

Levanto os olhos ao homem. Ele retribui meu olhar e sorri com o canto dos lábios. Digo baixinho “obrigada”. E algo se transforma: ao meu redor, dentro de mim. Como mágica.

Gesto inusitado.

Não era época de festas, quando o espírito natalino contagia a todos e amor e solidariedade viram palavras de ordem. Era um dia qualquer, de um qualquer mês.

Ah, o poder de um bilhete e um sorriso! E o quanto podem ensinar...

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Pensamentos no 1º de janeiro

© J. E. Möller, 2007


Nenhuma resolução de ano novo debaixo da tibuchina.

Meus pés descansam sobre a grama. A abelha sobrevoa meus arredores. O beija-flor corteja a bromélia, regularmente. As araucárias seguem as mesmas. Imóveis, estes pilares silenciosos, guardiões do tempo, formam minha pessoal fortaleza.

(Sou eu quem as observo ou sou por elas observada? Sinto que não me julgam, mas me compreendem)

Nenhuma resolução de ano novo debaixo da tibuchina.

Meu recomeço este ano é por demais evidente. Uma etapa toda nova. Não requer o fixar de metas, e não aconselha o elencar de desejos.

Nada quero que não sentir, escutar, contemplar. Seguir o fluxo natural da vida. Ao menos por um átimo, precioso instante. Busco a harmonia com a terra, o verde, o ar. E assim com o mundo. É este o mundo que me interessa, ora. Outros mundos hoje me importam pouco. Outras opiniões sobre o viver. Outras expectativas.

Não farei minhas alheias expectativas. Não pintarei meus dias com os tons do devido, do recomendável, do previsível.

Eis uma única resolução a gerar, quem sabe, debaixo da tibuchina.