quarta-feira, 1 de julho de 2009

Belo início


Abertamente imitando o Todo Prosa do Sérgio Rodrigues, que volta e meia nos brinda com inícios de livros bem bacanas, trago aqui a passagem que abre o excelente Um livro em fuga, do Edgar Telles Ribeiro.

Há países que, se não existissem, precisariam ser inventados. Por isso, talvez, preservem um ar de mistério, um perfume de “achado”, um jeito, ao mesmo tempo, de coisa antiga e incompleta, que lhes dá certa magia – dessas que em geral associamos ao universo das fábulas.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Retrospectiva 2008

minhas melhores companhias literárias no ano que passou














Machado de Assis












Ivan Turguêniev













Thomas Mann













Eça de Queirós












Edgar Telles Ribeiro













Aldous Huxley












Bertolt Brecht












George Orwell












Daphne Rooke
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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Instante no bistrô


Cafe Wien, por Kazze. 11/05/2008. Creative Commons


No bistrô de paredes cereja pouso o guardanapo e afasto o prato, satisfeita. Espio as mesas ao redor, vazias quase todas. Já são horas.
A janela alta de tempos tão idos de repente bate, com violência. Minha dormência um átimo cede. Vejo o vento embravecido a perturbar palmeiras e toldos brancos.
Chove de soco como se chovendo estivera há anos.
Os poucos comensais olham também pra fora. Suspiros, sonolentos resmungos, olhares rápidos aos ponteiros, a prever banhados contratempos.
Piso no antigo piso de madeira, insistente. Pec pec pec, martelo a ponta do sapato. Agora é que são elas. E já são horas, mais que horas.
Ah, vou é prolongar o ócio, decretar feriado, mais um espresso por favor. E uma caneta.
Pra rabiscar desastrados traços, desenhos toscos e tolos devaneios.




* * *

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Mais de Cecília


Tomo nos olhos delicadamente


(Cecília Meireles, Solombra)


Tomo nos olhos delicadamente

esta noite - jardim de puro tempo

com ramos de silêncio unindo os mundos.


Tudo quanto quisesse aqui se encontra:

nos arroios de estrelas - pelos bosques

onde há risos (e próximos soluços?).


Sinto perfume e orvalho - imagens tênues

que inventa a solidão para fazer-se

de repente saudade. E vejo em tudo


essas cansadas lágrimas antigas

essas longas histórias sucessivas

com seus berços e guerras - glórias? - túmulos.


Recolho a noite em minhas pálpebras.



quarta-feira, 22 de outubro de 2008

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Ninho

* * *

Da vidraça espio quieta a construção do ninho. Quero-me invisível, a não turbar o labor amoroso. A nova estação desabrocha novos cuidados e afetos. Incessantes vôos de partida e retorno. A ponta do bico carrega mais um pedaço que acolhe a vida. Materialidade de um começo. Solene e muda atrás da vidraça espio a dedicação sábia, a arquitetura precisa. Oculto-me, não faço ruído. Quero absorver a natural confiança de cada pouso, de cada novo vôo, cada movimento consciente e cristalino. Pensativa na vidraça sigo a construção e carrego-te comigo. É tempo de eu também, amor, construir teu ninho.

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segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Saindo do forno


Divulgo aqui a publicação da obra coletiva Bioética e Responsabilidade, que tive a honra de co-organizar ao lado da Profa. Dra. Judith Martins-Costa. Pelo selo da Editora Forense. Segue resumo:

Nesta obra reúnem-se autores nacionais e estrangeiros analisando a bioética e as questões suscitadas pelo progresso biotecnológico pelo prisma da responsabilidade, noção central que atua como o fio condutor a perpassar as diferentes abordagens. Trata-se da responsabilidade em suas dimensões ética, social e jurídica, como noção voltada ao presente e ao futuro, às sociedades contemporâneas e à tutela das futuras gerações. A obra une textos de cunho filosófico e de fundamentação ético-jurídica a textos que buscam enfrentar, por meio da dogmática jurídica, a complexidade de questões específicas – tais como a pesquisa em seres humanos, o consentimento, a clonagem, o acesso ao material biológico humano, as informações genéticas, o diagnóstico pré-implantatório, as patentes, o fim da vida –, resultando em importante contribuição a orientar reflexões e fomentar debates que envolvem múltiplos campos do saber, como o direito, a filosofia e as ciências da saúde.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Justiça para Flávia



A trágica história de Flávia e a luta de sua mãe, Odele, já estiveram no efêmeras letras. Leia aqui.


sábado, 23 de agosto de 2008

As ruas da cidade

Já não reconheço as ruas
quando meus passos percorrem a calçada antiga.
As pedras as mesmas, as mesmas árvores,
o sabiá e o lilás das campainhas.

Do velho armazém nada alterado
e em pé segue a casa do professor.
O céu anil do outubro na cidade
pinta de ares serenos a tarde.

Mas já não reconheço as ruas
quando piso meus passos pequenos
e respiro o concreto imponente e feio.

Quando vejo aquele homem na calçada
que dorme sobre nada e nada sonha
e aqueles que passam apressados indiferentes irados
e nada vêem.