quarta-feira, 19 de março de 2008

Grandes Mulheres: Nydia Bonetti conta Lena Gal

Lena Gal

Nas minhas andanças pela internet, em busca de imagens para ilustrar meus “poeminhas” (postados no http://www.overmundo.com.br/perfis/nydia-bonetti), como costumo chamar os poemas que escrevo, quase sempre ligados à terra e à natureza, me deparei com uma tela que me impressionou. Primeiro pelas cores e pelo tom de terra, que já fascinam ao primeiro olhar. Depois pela suavidade e força das expressões e finalmente pela beleza dos títulos poéticos dados a eles. A tela se chamava: “Terra de Brisa Perfumada”, da artista plástica Lena Gal. Fique fascinada por esta pintura. Fui procurar mais informações sobre a artista e sua obra e encontrei o seu site. Minha admiração por seu trabalho só aumentou desde lá. O trabalho dela é incrivelmente belo, lírico e poético. "Pinta a mulher como tema de preferência, mas não de uma forma feminista, mas sim porque o feminino faz parte do seu universo, dela mesma."


"Terra de Brisa Perfumada"


"Mulher, mãe, amiga, a bordadeira, mulher de xales negros, de véus, mulher á janela, sentada à porta, conta-se contos, histórias, e sonhos, olha-se o mar, o horizonte, e espera-se, são as mulheres Terra - Mãe."

"Canto da Manhã"

E como a vida é movimento, qual não foi minha surpresa, quando recebo em e-mail de Lena, dizendo que uma amiga dela, nas suas andanças pela internet, encontrou meu poema “A Ilha”, e mostrou a ela. Lena disse ter ficado muito sensibilizada ao ler o poema, ilustrado por sua tela, pois “a ilha na sua alma universaliza-se na linguagem pictórica, estabelecendo um diálogo intimista, num figurativo poético, pessoal e de grandes alegorias”. Segundo ela mesma a pintura que faz é uma pintura consciente, vem da sua vivência e das suas memórias com forte ligação à terra, à ilha onde nasceu, E no caminho da sua imaginação de mistérios, da procura, e entre saudades e nostalgias inexplicáveis, cria-se nela uma inquietação que deságua na tela branca e nas cores terra.

Biografia (retirada de seu site): Helena Maria Galvão Amaral, artista plástica (Pintora) com o nome artístico de LENA GAL, nasceu em 1957 em São Miguel, Açores. Desde sempre ligada às artes: iniciou-se a partir dos 15 anos de idade com a colaboração em Jornais dos Açores com poesia, contos e temas regionais; em 1990/1 colaborou no Jornal de Sintra, na Página Feminina; freqüentou a Cooperativa de Gravadores Portugueses, a Sociedade Nacional de Belas Artes e a Arco. Considera-se, no entanto, autodidata. Além de utilizar a tela e o papel, dedica-se igualmente ao estudo das técnicas tradicionais de gravura em couro, dando assim início à pintura sobre o couro, com uma filosofia plástica e pictórica própria. Tenta evoluir através de pesquisas, e, nomeadamente introdução de novos processos. Participou em inúmeras atividades pedagógicas das quais refere: animação em expressão plástica, em escolas do ciclo preparatório básico e ateliês de tempos livres. Foi monitora no programa "Artes e Ofícios" do Projeto Sócio-Educativo do Departamento de Educação da Câmara Municipal de Lisboa. Foi convidada para apoiar ações pedagógicas sobre a Arte e o Couro no Liceu "Durfee" na Bishop Conrelly High School e na Universidade of South Carolina, Spartanburg - EUA.

Site de Lena Gal: http://www.lena-gal.com/
Estes poemas fiz inspirada pelas telas de Lena, que ilustram as postagens: http://www.overmundo.com.br/banco/na-terra-da-brisa-perfumada e http://www.overmundo.com.br/banco/ilha
* * *
Na Terra da Brisa Perfumada
(Nydia Bonetti)

Na terra
Da brisa perfumada
Há sóis vermelhos
Luas prateadas
E dunas
De areias douradas...
Os bichos são mansos
Os pássaros tantos
Gaiolas não há...
A brisa
Traz perfumes
De terras distantes...
(Rosais em flores)
Que se unem
Aos perfumes da terra...
(Alecrins dourados)
Terra de brisa
Leve
Terra de pássaros
Brancos
Cantos e voares
Multicores
Terra de tantos amores...
Quero ir para lá
Quem me levará

Nydia Bonetti
Campinas/SP. Engenheira Civil por profissão escrevo poemas como uma forma de amenizar a dureza do concreto e do aço e a exatidão dos traços e das fórmulas com que convivo diariamente, com o lirismo e a doçura das palavras perseguidos pelos os poetas...
nydiabonetti@bol.com.br
http://www.overmundo.com.br/perfis/nydia-bonetti

sexta-feira, 14 de março de 2008

Grandes Mulheres: Saramar Mendes conta Odele e Flávia

Odele e Flávia


Há uma mulher entre tantas que, como todas, carrega sua cruz.
É uma mulher do povo, nem musa, nem estrela. Nenhum poema de renome lançou em versos, sua luta.
Como tantas mulheres, de amor vive morrendo.
É planta, árvore madura e sadia repartindo sua seiva em goles fartos, em imensa doação.
Seu nome é Odele.
Quem a viu por aí chorando? Quem percebeu seu pranto, se nem tempo tem para verter em água, o golpe? Quem vê, da árvore o líquido brotando, de dentro, dentro ao sentir que lâmina crudelíssima quase lhe arranca um ramo?

Odele é mãe de dois lindos filhos: Flávia e Fernando que seriam como tantos outros filhos, não fora a dor que esta mãe carrega, e ainda assim, cada vez mais forte e mais bela em sua luta.
Odele é a mãe da “Flávia vivendo em coma”, como conhecemos a pequena flor, quase abatida no início de sua floração pela irresponsabilidade e a ganância.
Odele é também escritora e poeta, e publica seus textos em http://oficinadepalavras.blogspot.com/

A história de Odele e sua filha? Eu conto um pedaço: Flávia tinha apenas 10 anos quando seus cabelos foram sugados pelos ralos da piscina do condomínio, onde a família morava no bairro Moema, em São Paulo. Foi retirada da piscina e levada para a UTI do Hospital Santa Isabel, em coma. E assim permanece já há dez anos.

"Flávia segue inconsciente, em coma vigil. Abre os olhos durante o dia e os fecha à noite. Mas não interage com o meio ambiente e é completamente dependente para toda e qualquer atividade da vida. Ao longo dos anos, devido ao tempo em que fica imóvel vem adquirindo deformidades severas que torna o quadro ainda mais doloroso e difícil de cuidar" (Odele).

Odele luta há 10 anos por justiça. Há dez anos, espera, os braços fortalecidos na luta diária com seu raminho de frágil existir. Há dez anos, Odele luta, sem desistir.
Ela é meu exemplo de mulher.

Quer saber mais sobre Odele e Flávia? Visite-as em http://flaviavivendoemcoma.blogspot.com/

Em dezembro, escrevi este pequeno poema para Flávia


FLÁVIA, A FLOR E SUA ÁRVORE

Há uma flor profundamente adormecida

e a beleza de sua árvore.

como é a sina das árvores, esta vela

em força, também em dor.

Nem os ventos, os ventos frios dos dias,

que arrancam lamentos entre os ramos e as folhas,

perturbam a linda flor, em seu sono.

Qual princesa dorme a flor,

dos contos de fada, personagem.

Porém nenhum príncipe virá

com seu beijo de acordar

e nem o espera a princesa em flor.

A árvore, cuidadosa, vela.

Sua seiva milagrosa mantém a vida

da linda flor e seu sorriso raro.

A árvore espera que o vento se vá,

ainda que fique a dor.

Se não há príncipe a caminho,

há o dragão da injustiça

a ser combatido todos os dias,

único capaz de vergar a árvore e

deixar solta do ninho, a flor.

(Saramar Mendes)


Saramar Mendes
Funcionária pública, aprendendo a luta com as palavras.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Grandes Mulheres: Cintia Thomé conta Ana Cristina Cesar

Ana Cristina Cesar (1952-1983)
Expoente da chamada poesia marginal dos anos 70, a poeta carioca Ana Cristina Cesar tornou-se conhecida em escala nacional depois de figurar na antologia 26 Poetas Hoje, organizada por Heloísa Buarque de Hollanda, em 1976. Ana Cristina viveu mais de uma vez, viajou pelo mundo, estudou literatura e cinema, publicou poesia em edições independentes. Escritora compulsiva produzia poemas, cartas, artigos para jornais e revistas, traduções, ensaios. Entre os principais títulos deixados por Ana C., encontram-se A Teus Pés, Inéditos e Dispersos, e Crítica e Tradução. Ana suicidou-se em outubro de 1983, aos 31 anos.

ANA CRISTINA CESAR, ANA C.
(poesia de Cintia Thomé)

A estrutura inacabada
Talvez a verdade dos fatos
Não dos olhos
Da construção oca
Do salto alto
Na contramão
No vácuo do um
Quase dois
tea for two
Escorre o assassino
Eu,
Vivo nas cabeças
de Madame Tussaud
Derreto solidões
Esculpo saudades
Roberto ainda geme
Nas curvas da Bahia
Tortas vias
Veias secas
Fingidas
Mãos com luva
De Pelica?
O todo da vida
Não de mim
Dos que li
Nem conheci
Mentiras
No risco neon
Do tempo Blue
De mim?
Só a obra fantasma
De mim
Dos meus eus.
“Despe-te dos ruídos”.
Quantos?
Dois? Tantos?
Ah! Esqueci.


Cintia Thomé
Nascida em Campinas, SP. Jornalista, Relações Públicas/Cerimonial e Escritora. Professora Universitária. Assessora de Imprensa e Relações Públicas, do Instituto Agronômico de Campinas e da Secretaria da Agricultura e Abastecimento de São Paulo, por 7 anos. Trabalhou na área de marketing da Ed. Abril . Galerista de Arte por 15 anos. Especializou-se em História da Arte Brasileira. Atualmente ocupa-se com um romance e palestras para iniciantes e empresários sobre História da Arte Brasileira. Prêmios Literários. Consta em diversas Antologias Poéticas. Autora do Livro "Olhos de Folha Minha".

segunda-feira, 10 de março de 2008

Grandes Mulheres: Nydia Bonetti conta Teresa de Ávila


Teresa de Ávila (1515-1582)

Teresa de Ávila ou Teresa de Jesus, foi uma religiosa e escritora espanhola, uma das grandes personalidades místicas de todos os tempos. Considerada um dos grandes gênios que a humanidade já produziu. Mesmo ateus e livres-pensadores são obrigados a enaltecer sua arguta inteligência, a força persuasiva de seus argumentos, seu estilo vivo e atraente e seu profundo bom senso.

Difícil explicar em palavras as emoções que brotam diante da sua poesia, aliás, também como a poesia do seu "irmão" São João da Cruz, ambos figuras preponderantes do “siglo de oro” da poesia espanhola e da nossa cultura, independentemente da religião. É venerada como Padroeira dos Poetas e comemorada no dia 15 de outubro.

De personalidade ao mesmo tempo ingênua e sutil, mansa e combativa, usando uma linguagem popular, cheia de graça e de doçura, com um coração que nunca deixou de bater humanamente, apesar de abrasado de amor divino. Difícil escrever sobre essa fome de absoluto que atormentou Teresa, que enfrentava com desencanto o vazio da eternidade, numa espécie de êxtase às avessas...

VERSOS NACIDOS AL FUEGO DEL AMOR

Vivo sin vivir en mí,
y de tal manera espero,
que muero porque no muero.

Vivo ya fuera de mí

después que muero de amor;
porque vivo en el Señor,
que me quiso para sí;
cuando el corazón le di
puse en él este letrero:
que muero porque no muero.

(Teresa de Ávila)

Fiz este poema depois de ler Teresa de Ávila:

Nada...

Chove outra vez

Em mim

Outra vez se faz noite

Mais uma vez me quedo

Diante do meu nada...

Sombra

Mais uma vez

Sou sombra

Mais uma vez sozinha

As minhas mãos vazias

Dor

Choro outra vez

Na noite

A noite me devora

A noite dói em mim

Cansei

Não posso mais

Quero voltar atrás

Mas lá não há mais nada

Na minha frente

Nada...

Bate

Meu coração inquieto

Meu coração não sabe

Que ele anda sozinho

Meu coração não sabe

Que também não é nada...

Olho

Meus olhos no espelho

Pensam que brilham

Os meus olhos não sabem

Que não há brilho

Quando a alma se esconde

E não reflete nada...

Noite

Não há ninguém lá fora

E aqui dentro nada

Os meus olhos cansados

A minha alma aflita

Tremo de medo e frio

Os meus olhos vazios

Diante do meu nada...

Vida

Por que não foi...

Vida

Por que não é...

Vida

Por não volta...

Vida

Por que é nada?!

(Nydia Bonetti)

Uma singela homenagem à Padroeira dos Poetas. Que ela interceda por todas as mulheres e todos os poetas!

Nydia Bonetti
Campinas/SP. Engenheira Civil por profissão, escrevo poemas como uma forma de amenizar a dureza do concreto e do aço e a exatidão dos traços e das fórmulas com que convivo diariamente, com o lirismo e a doçura das palavras perseguidos pelos poetas...

Por que me fiz assim,
milhas de quem
perto de mim?


Ah... Se não fosse a poesia,
meu único contato
com este mundo distante,
que jamais consegui alcançar...

(Nydia Bonetti)

nydiabonetti@bol.com.br
http://www.overmundo.com.br/perfis/nydia-bonetti

sexta-feira, 7 de março de 2008

Grandes Mulheres: Cristiane Avancini Alves conta Edith Stein

Edith Stein (1891-1942)

Eis a verdade…

Já faz algum tempo que não conversamos. Por isso, quando pensei numa mulher, pensei nela. Estava com saudades. A correria do dia-a-dia e as preocupações do cotidiano tolhem, por vezes, aquele bom recolhimento pessoal, quando nos encontramos com nós mesmos. E Edith sempre foi uma discreta e forte companhia nestes meus momentos de silêncio interior, tão cheio de vozes, dúvidas, esperanças. Momentos eloqüentes que devo retomar. Eles trazem equilíbrio. Nos inundam de uma suave paz.

Refiro-me a Edith Stein. Ela nasceu em Breslau (na época, pertencente a Alemanha, hoje Polônia) em 1891. Filósofa, discípula de Edmund Husserl, de origem judia. Sua busca pelo conceito da “Verdade” passou do racionalismo acadêmico à experiência pessoal. Da Fenomenologia, defrontou-se com a I e II Guerra Mundial e, com elas, a perda de amigos. Paradoxalmente, uma sensível perda que, por caminhos diversos, a levou ao encontro da obra “O Livro da Vida”, de Teresa de Ávila. Ao finalizar a leitura do livro, diz a si mesma: “Esta é a Verdade”. Entra para a vida carmelitana aos 42 anos de idade, chamando-se, a partir de então, “Teresa Benedita da Cruz”. Refugiou-se da perseguição nazista no Carmelo de Echt, Holanda. Em 9 de agosto de 1942, morre no campo de concentração de Aushwitz.

Já faz algum tempo que não conversamos, mas já faz muito tempo que, direta ou indiretamente, sinto sua coragem. Não falo, aqui, de religião ou linhas filosóficas. Penso na plenitude de “ser”, no desafio de uma mulher que, na sua época, passou da Filosofia ao Holocausto. Edith nos faz lembrar que o verbo “acreditar” é pleno de movimento e desafios. Aceitar a si mesmo neste emaranhado de perguntas interiores é a resposta mais difícil de encontrar. E ela, Edith, foi uma mulher que, ao desafiar, pacificou dúvidas, alimentou esperanças. Diz-se que o seu foi um “Holocausto de Amor” para aquele tempo escuro da humanidade. Seu exemplo traz luz. E ser mulher é ser luz, que nunca há de se ocultar.

Cristiane Avancini Alves
Formada em Jornalismo pela PUCRS em 1999 e em Direito pela UFRGS em 2001. Mestre em Direito Privado pela UFRGS em 2005. Atualmente, é Doutoranda em Ciências Jurídicas pela Scuola Superiore Sant’Anna em Pisa, Itália.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Grandes Mulheres: Renata Bomfim conta Florbela Espanca

Florbela Espanca (1894- 1930)

Poetisa portuguesa extemporânea para sua época, compôs uma obra multifacetada onde convergem representações que abarcam aspectos como sensualidade, erotismo, aspiração sacerdotal e virginal, dor, angústia, desejo, sonhos, vaidade, questões e temas que refletem certos desejos de fazer dialogar dicotomias, termos opostos, aparentemente irreconciliáveis e lhe conferem uma importante presença ritualística.

Escreveu:

Eu bebo a Vida, a Vida, a longos tragos
Como um divino vinho de Falerno
Poisando em ti o meu olhar eterno
Como poisam as folhas sobre os lagos...
[...]
A Vida, meu amor, quero vivê-la!
Na mesma taça erguida em tuas mãos,
Bocas unidas hemos de bebê-la!

Que importa o mundo e as ilusões defuntas?...
Que importa o mundo e seus orgulhos vãos?...
O mundo, Amor!...
As nossas bocas juntas!...

(soneto: O nosso mundo)


Renata Bomfim é Artista Plástica graduada pela Universidade Federal do Espírito Santo, Arteterapeuta (UCAM- RJ), Especialista em psicossomática (FACIS- SP). Mestranda em Estudos Literários (UFES). Membro do Projeto de Pesquisa do CNPQ: Aproximações regionais: Alentejo Português e Nordeste Brasileiro - Florbela; romanceiros e romance sergipano (UFS).

segunda-feira, 3 de março de 2008

Grandes Mulheres

Retrato de Maria, C. Portinari (1931)



8 de março, Dia Internacional da Mulher.

Que seja ocasião de refletir. Dia de observar e pensar. De debater o “ser mulher”, a condição feminina em nossa sociedade e em nosso tempo. As conquistas e os eternos desafios, a igualdade formalmente reconhecida e as desigualdades que na prática persistem. A força e a vulnerabilidade do ser mulher. Dia de refletir sobre a convivência (possível!) da emancipação plena e do trabalho, de um lado, com a preservação da feminilidade e o desejo de maternidade, de outro.

Dia, também, de celebrar. Mas celebrar de um modo que não resuma esta data às usuais celebrações banais e tão bem exploradas comercialmente, centradas em uma exaltação feminina de significado trivial ou mesmo caricatural, tão distante do real ser mulher, de nosso modo todo particular - e único - de ser mulher. Não será possível?

Durante todo o mês de março o ..efêmeras letras.. dedicará espaço exclusivo a homenagear as mulheres. Com a colaboração de amigas - poetas, jornalistas, juristas, artistas plásticas... - contamos um pouquinho sobre algumas dentre tantas Grandes Mulheres.

Grandes mulheres

Porque autênticas, porque fortes.
Porque corajosas, porque talentosas.
Porque desafiaram seu tempo.
Porque sensíveis, porque tão humanas,
porque em busca do bem e do belo.

Mulheres que admiramos.
Mulheres que não cabem em estereótipos,
frágeis rótulos.

Mulheres de diferentes tempos e espaços,
que inspiram a cada uma de nós,
a seu modo.

Agradeço desde já a todas estas amigas que me honraram e alegraram em aceitar este convite.
A vocês, mulheres de hoje,
meu muito obrigada.

Letícia.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Reminiscências de Escola


O Reminiscências de Escola, projeto inovador de livro colaborativo, coordenado por Joca Oeiras, reúne 40 crônicas de 25 autores, de 12 diferentes Estados e 19 diferentes cidades brasileiras, compondo um precioso mosaico de lembranças dos tempos de escola que retratam distintas realidades escolares de nosso País ao longo de décadas.

Tenho enorme alegria e satisfação de fazer parte deste grupo especial de autores.
Um grupo de sonhadores, de gente que acredita na escola. E que acredita que recordar nossas vivências escolares é não apenas um exercício (fascinante e ao mesmo tempo perturbador) de voltar a enxergar com olhos de criança, mas também e talvez sobretudo um modo fundamental de REPENSAR A ESCOLA.

Relembrar a escola é repensá-la, é construir pontes entre as heranças do passado, o nosso tempo presentee as expectativas para o futuro. Que futuro queremos para a escola no Brasil? Será que uma das chaves para a resposta não poderia estar no pensar o caleidoscópio formado por nossas inúmeras e tão distintas realidades escolares?

O grupo busca patrocinadores e editoras interessadas na viabilização da publicação impressa deste belo e inovador projeto. Sim, embora o projeto tenha fecundado e crescido em bases virtuais, no seio do Overmundo, sonhamos com o papel, seu cheiro, seu toque, seu irresistível fascínio, de modo a transmitir da melhor maneira possível nossas recordações agridoces (às vezes açucaradas, por vezes amargas de fazer careta) dos inesquecíveis tempos de escola.

Para quem se interessar possa, aqui vão alguns links que explicam o projeto, bem como valiosas manifestações de apoio recebidas:

http://www.overmundo.com.br/banco/pela-publicacao-do-livro-reminiscencias-da-escola

http://www.overmundo.com.br/forum/reminiscencias-da-escola-solidariedade-criativa-no-overmundo

http://www.overmundo.com.br/ banco/como- se-constroi- um-sonho

http://www.overmundo.com.br/banco/reminiscencias-da-escola-sim


Para ler minha crônica, Era uma vez um Jardim de Infância, acesse:

http://www.overmundo.com.br/overblog/era-uma-vez-um-jardim-de-infancia


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Livros ao mar

( Haley, Untitled, 2006. Open Photo)


Tempo de praia pode ser, mais do que nunca, tempo de bons livros. Nestes dias em que tudo é sol, brisa e mar, quando os ponteiros do relógio parecem reduzir seu ritmo e as horas avançam lentas e generosas, que prazer degustar palavras sem pressa, deixar-se seduzir por histórias, aventurar nossa imaginação por outros mundos através das páginas de um livro.

Outro dia peguei-me recordando algumas passadas leituras praianas. Na infância, ler “A casa das quatro luas”, de Josué Guimarães, na preguiça pós-almoço, enrolada na rede para proteger-me do vento. Divertir-me com Mario Quintana em “O batalhão das letras”, leitura a quatro olhos e duplas risadas com meu irmão mais velho. Mais tarde, levar para a areia “O mundo de Sofia”, de J. Gaarder, e “O estrangeiro”, de Camus, que aos 14 anos pouco entendi.

O embalo suave da rede a embalar a leitura. O livro na sacola rumo à beira-mar, indo da canga sobre a areia à sombra protetora do guarda-sol. Perder-se nos labirintos kafkianos, visitar a abadia medieval de “O nome da rosa” de Eco, estudar na Howgarts de Harry Potter, emocionar-se com as desventuras de um circo durante a Grande Depressão americana, no “Água para elefantes” de Sara Gruen. Viajar para outros tempos e lugares, partilhar dos sentimentos e dilemas dos personagens. E, ao interromper a leitura e erguer a vista ao mar, perceber o que nos rodeia: a areia morna sob os pés, as ondas que quebram à frente. A vida leve.

Ao retornar para nossa selva urbana, encontrar entre as páginas dos livros os vestígios do verão: um grão de areia, o milho verde saboreado junto à leitura, as orelhas que nos livros se formaram, de tanto que passaram de mãos em mãos – da tia para o pai, para a filha. São marcas de um verão de emoções compartilhadas: com quem amamos, com nossos amigos, e também um especial e singular compartilhar entre leitor e autor.


PUBLICADO NO JORNAL NH, EM 08/02/2008.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Digressão em tarde de verão

Sol diagonal na parede do quarto,
pelas frestas da veneziana
pinta harmônica geometria.

Dois, quatro, seis,
não sigo a conta,
a mente inquieta.

Pés preguiçosos
pesados ponderam:
reagir à inércia?

Pensamentos como flecha,
corpo cansado,
cria-se impasse.

Cada idéia fugidia
que me atravessa e já se esvai
são mais dois quilos numa perna

... são três cochilos nas mãos.

São olhos compridos
no esforço de contar
a geometria do sol.

Na parede do meu quarto.